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sexta-feira, 8 de novembro de 2019

GPESEG EXPLICA! A comunicação efetiva e sua importância para alcançar um cuidado adequado em saúde

Por: Giovanna Calispto de Rezende. Acadêmica de Enfermagem da Escola de Enfermagem Anna Nery. Membro do Grupo de Pesquisa e Extensão em Segurança e Sustentabilidade em Saúde - GPESEG.



Você já deve ter ouvido falar em técnicas de passagem de plantão, técnica SBAR, Read Back, entre outras. Essas são ferramentas usadas para melhorar e padronizar a transição do cuidado, que é uma das etapas do processo de cuidar.O termo Transição do cuidado, apesar de não existir um conceito global, é usado para descrever qualquer momento do processo de cuidado em que haja transferência de responsabilidade sobre determinado paciente entre profissionais, unidades ou níveis de saúde, não implicando na retirada total de responsabilidade do profissional que está compartilhando o cuidado sobre o cliente. Esse conceito se refere a vários pontos dentro do serviço onde o paciente se move, seja ele entre unidades, setores ou entre pessoas, e diz respeito inclusive à transferência do hospital para casa, onde a responsabilidade é transferida para o próprio paciente, que será o autor do seu próprio cuidado. A Sociedade Americana de Geriatria, por exemplo, define que a transição do cuidado é um conjunto de ações que objetivam garantir a coordenação e continuidade do cuidado quando os pacientes se transferem entre diferentes locais ou serviços de saúde.3
Tendo em vista a finalidade de continuar o cuidado com qualidade, deve-se ter em mente que o estabelecimento de comunicação efetiva durante o processo de transição é crucial para se obter êxito e garantir a segurança em saúde. Estratégias existem para facilitar esse processo e um desafio durante as transferências é identificar métodos adequados para que diminua a perda de informação e dados clínicos importantes, já que a falta de comunicação dentro do serviço fala a favor de atenuação dos problemas. Para ilustrar a relevância desse tópico, o Ministério da Saúde elaborou um cartaz sobre as metas de segurança do paciente e destacou como meta 2: Melhorar a comunicação efetiva.
Desse modo, devemos lançar mão de estratégias e ferramentas que se adaptem a realidade de cada unidade ou setor para que haja declínio em níveis aceitáveis de eventos adversos e, não menos importante, valorizar a educação em saúde, incorporando o conteúdo de segurança do paciente para que os profissionais tenham uma postura diferente nesse quesito.
Referências:
1 ALVES M, MELO CL. Transferência de cuidado na perspectiva de profissionais de Enfermagem de um pronto-socorro. REME – Rev Min Enferm. 2019.
2 BARCELLOS, G.B. Comunicação entre os profissionais de saúde e a segurança do paciente. In: SOUSA, P.; MENDES, W. (Org.). Segurança do Paciente: criando organizações de saúde seguras. Rio de Janeiro: EditoraFiocruz, 2014. p: 139 – 155.
3Transitions of Care: Technical Series on Safer Primary Care. Geneva: World Health Organization; 2016.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

GPESEG EXPLICA! Segurança clínica nos cuidados aos pacientes onco-hematológicos neutropênicos


Por: Michelle da Silva Martins José. Enfermeira especialista em Oncologia. Coordenadora de Enfermagem do serviço de oncologia de um hospital militar.


Para o biênio 2018-2019, é estimado o registro de 300.000 novos casos de câncer em homens, e 282.000 novos casos de câncer em mulheres. ¹
Números altos, que nos remetem a uma reflexão sobre como melhorar os cuidados clínicos a este paciente, que normalmente encontra-se sobre fragilidade físico-psicológica, devido ao diagnóstico de câncer.
Uma das modalidades de tratamento das doenças onco-hematológica mais utilizada é a quimioterapia. Os quimioterápicos anti-neoplásicos agem em diferentes fases do ciclo celular, porém em sua maioria não são específicos para células malignas, atingem tanto células benignas quanto neoplásicas de rápida proliferação. ²
O sistema hematológico é um dos mais afetados pela toxicidade do tratamento quimioterápico. A mielossupressão é observada, sobretudo, pela baia contagem de neutrófilos. Um estado de neutropenia é definido como uma contagem de neutrófilos entre 500 – 1.500 células/mm³, com tendência à queda. ³
Quando ocorre febre associada à neutropenia, configura-se uma emergência oncológica, a neutropenia febril.
Febre em pacientes neutropênicos é uma complicação frequente da quimioterapia antineoplásica. Ocorre em 10 a 50% dos pacientes com tumores sólidos e em mais de 80% dos pacientes com neoplasias hematológicas, acarretando aumento da morbidade e mortalidade. ² Sabe-se que mais de 20% destes pacientes, apresentam neutropenia febril por bacteremia.³
Um fator adicional de risco para desenvolvimento de neutropenia febril em pacientes em tratamento quimioterápico é o período de Nadir. O Nadir é o tempo de menor contagem de leucócitos após o regime quimioterápico, normalmente acontece entre o 10º e 14º dia, porém varia de acordo com as drogas utilizadas e seus respectivos intervalos de administração. ²
No âmbito hospitalar, o paciente neutropênico está submetido a maior risco de desenvolver infecção, pois é exposto a um ambiente com diversos microorganismos multirresistentes, punções venosas e procedimentos invasivos. ²
Como profissionais de saúde, o que devemos fazer para proporcionar segurança clínica, principalmente relacionado à prevenção de infecção, para este paciente em questão?

       Primeiramente, realizar efetiva higiene das mãos, em todos os 5 momentos recomendados.4
       Identificar e, quando indicado, tratar a fonte suspeita ou confirmada da infecção.
       Realizar culturas de vigilância de agentes infecciosos epidemiologicamente importantes.
       Restringir a atividade dos profissionais de saúde com algum tipo de processo infeccioso ou viral, mesmo que se encontre fisicamente apto ao trabalho.
       Restringir a visita de acompanhantes e familiares, nas mesmas condições citadas para os profissionais de saúde.
       Realizar práticas seguras na aplicação de medicamentos, como evitar o uso de medicações com frascos multidoses.
       Realizar limpeza, desinfecção e esterilização de materiais, equipamentos e ambiente de acordo com a classificação de risco em causar infecção: crítico, semicrítico ou não crítico.
       Utilizar as medidas de barreira pelo paciente-fonte (Ex. uso de máscara cirúrgica durante o transporte intra-hospitalar).
       Utilizar medidas de precaução padrão.
       Utilizar equipamento de proteção coletiva.
       Utilizar dispositivos de segurança em materiais perfuro cortantes.
       Realizar a manutenção preventiva dos sistemas de ventilação de ar e reservatórios de água.
       Manter boas práticas sanitárias no preparo, na distribuição e no armazenamento de alimentos.
       Utilizar técnica asséptica na inserção e na manutenção de dispositivos invasivos: cateter vascular, cateter vesical, cânula endotraqueal e circuitos/acessórios de ventilação mecânica. 5
Como podemos observar, a integração da equipe multiprofissional é apresentada como estratégia de extrema importância para garantir a segurança clínica a este paciente, e assim, promover menores registros de morbidade e mortalidade.

Referências bibliográficas
  1. INCA. Instituto Nacional de Câncer. Disponível em https://www.inca.gov.br/numeros-de-cancer , Acessado em 02 de Setembro de 2019.
  2. Lima, Milena Fontes Silva; Minetto, Rita de Cássia. Conhecimentos de pacientes onco-hematológicos em tratamento quimioterápico sobre os cuidados para prevenção de infecções. Com. Ciências Saúde.2014; 25(1): 35-44. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/periodicos/conhecimento_pacientes_onco.pdf. Acessado em 02 de Setembro de 2019.
  3. Enfermagem em Oncologia. Coordenadoras Selma Montosa Fonseca, Sonia Regina Pereira. São Paulo: Editora Atheneu, 2013.
  4. WHO. World Health Organization. World alliance for Patient Safety. The conceptual framework for the international classification for patient safety: final technical report. Version 1.1. Lisboa: WHO, 2009.
  5. Oncologia para Enfermagem. Andrea Bezerra Rodrigues; Patricia Peres de Oliveira, coordenadoras. São Paulo: Manole, 2016.




quarta-feira, 5 de junho de 2019

GPESEG Explica! - INCIDENTES ASSOCIADOS A CATETER VESICAL DE DEMORA: PROTAGONISMO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM E A SEGURANÇA DO PACIENTE


Por: Matheus Kirton

O cateterismo vesical (CV) consiste em uma técnica invasiva, que ocorre por meio da introdução de um cateter através do meato uretral até a região interna da bexiga, objetivando estabelecer uma via de drenagem de urina, por tempo determinado (permanente ou intermitente), com fins terapêuticos ou diagnósticos. (RIVERO et al., 2012)

Atendendo as necessidades clínicas do paciente, segundo Barros et al. (2016) o cateterismo vesical pode ser dividido em duas classes principais: cateterismo vesical de demora (CVD), relacionado a uma longa permanência no trato urinário, e cateterismo vesical de alívio (CVA), utilizado em períodos intermitentes com curta permanência no trato urinário.

Na prática clínica, verifica-se que há uma maior preferência na utilização do CVD, chegando a um percentual no Brasil de 10% dentre os pacientes hospitalizados.
Do mesmo modo, percebe-se essa mesma preferência em âmbito mundial, já que
segundo o Departament of Health (2001), 12,6% dos pacientes internados na Inglaterra utilizam CVD.

Conterno et al. (2011), aponta em seu estudo que cerca de 20% a 50% dos pacientes hospitalizados são submetidos a cateterização vesical, sendo que aproximadamente 38% dos médicos podem não saber que o paciente está sondado, o que implica e contribui diretament para que o uso do cateter vesical seja além do tempo necessário.

A utilização e permanência excessiva do cateter vesical de demora, de acordo com Barros et al. (2016) pode acarretar ao paciente eventos adversos como dor, sangramento, desconforto, trauma e até mesmo uma grave infecção. Frente a ocorrência de tais incidentes, segundo Cestari et al. (2017) a segurança do paciente, aproximadamente nos últimos quinze anos, tornou-se uma grande preocupação e prioridade entre a equipe de saúde, o que pode-se observar mediante a criação de políticas internacionais e protocolos que visam a redução e controle dos riscos de incidentes associados ao serviço de saúde.

A WHO (2016) define incidentes como eventos ou circunstâncias que poderiam ter resultado, ou resultou, em dano desnecessário ao paciente; podendo ser classificados em: circunstância notificável, near miss, incidente sem dano e incidente com dano (ou também denominado de evento adverso-EA).
Nessa perspectiva, Cestari (2017) afirma que os incidentes classificados pela segurança do paciente, ocorrem em aproximadamente 10% dos pacientes internados e podem ser relacionados com infecções decorrentes do cuidado de saúde, equipamentos médicos dentro outros. A ocorrência desses em paciente com CVD, inspira da equipe de enfermagem grande atenção, uma vez que suas complicações podem levar agravos ao quadro clínico do paciente. Tal questão pode ser explicada uma vez que, por exemplo pacientes com CVD estão submetidos à um maior risco de desenvolver uma infecção do trato urinário (ITU). Estima-se que 35% a 45% das infecções hospitalares são devido a ITU, dessas 80% estão associadas à cateter vesical de demora. (CONTERNO et al., 2011)

Além da infecção do trato urinário, outros incidentes podem estar associados como: traumatismo uretral, falso trajeto, litíase urinária renal e vesical, uretrite, fístula uretral, prostatite, necrose peniana e câncer de bexiga. Dessa forma, os riscos de incidentes advindos do uso de CVD podem ser classificadas, de acordo com Tolentino et al. (2014), de duas formas: traumáticos (fatores que podem causar ou causaram um trauma) ou infeciosos (fatores que podem causar ou causaram uma infecção).
Rivero et al. (2012), refere em seu estudo que alguns fatores de risco podem potencializar a ocorrência de incidentes, podendo esses serem extrínsecos e/ou intrínsecos. Os fatores de risco intrínsecos, associados aos não modificáveis, são: idade acima de 50 anos; sexo feminino, patologia de base, por exemplo diabetes mellitus; disfunções anatômicas do trato urinários etc. Já os fatores extrínsecos, os modificáveis, estão relacionados por exemplo à duração do CV; ausência de antibioticoterapia profilática, técnica de inserção e cuidados na manutenção do cateter. Tanto os fatores de risco intrínsecos como os extrínsecos merecem um olhar peculiar da equipe multiprofissional, principalmente a da enfermagem, uma vez que o enfermeiro assume todo o protagonismo da manutenção do cateter vesical de demora, atuando como uma das principais barreiras na ocorrência de incidentes, os quais podem gerar graves complicações à saúde do paciente.

Tal protagonismo é reforçado e determinado pela resolução COFEN nº 413 de 2013, a qual normatiza que o procedimento de Cateterização Vesical é de função privativa do enfermeiro, frente a sua natureza invasiva e complexidade. Todavia não há nenhuma especificação que aborde a privatização da manutenção do cateter vesical sendo, portanto, responsabilidade compartilhada de toda a equipe de enfermagem. Em suma, na prática assistencial a equipe de enfermagem participa de todas as etapas do procedimento de cateterismos vesical, desde a inserção até retirada. Nesse, uma das etapas que mais desperta o acometimento de incidente tange ao manejo diário para a manutenção do cateter. Essa pode ser exemplificada com os procedimentos rotineiros da equipe como: o esvaziamento constante da bolsa coletora, o clampeamento do circuito para movimentação do paciente, a fixação adequada do cateter vesical etc. Segundo Rivero et al. (2012) caso haja falhas nesse processo, há uma grande chance de haver diferentes tipos de incidentes, com níveis de gravidade acentuados, de origem infeciosas e/ou traumáticas.

Sendo a enfermagem a principal atuante em todo o processo de cateterismo vesical de demora, torna-se importante que toda a sua ação, voltada principalmente para a manutenção, sejam pautados em conhecimento técnicos, científicos e gerenciais, vislumbrando evitar o aparecimento dos diferentes tipos de incidentes e a garantia da segurança do paciente. De acordo com Tolentino et al. (2014), uma das formas de alcançar tal objetivo é o estabelecimento de parâmetros mensuráveis, para que haja a implementação de programas e protocolos, baseados nas recomendações científicas mais atuais, que
norteiem a prática do cuidado de enfermagem.

Dessa forma, cabe ao enfermeiro acompanhar as potenciais circunstâncias que podem ou não provocar danos, afim de propor medidas contensoras para ocorrências de incidentes, visando a capacitação da sua equipe para a prestação de um cuidado especializado e seguro, conferindo ao paciente melhor bem-estar e sucesso na sua terapêutica clínica.

REFERÊNCIAS
RIVERO PAM, PACHECO IA, RIVERO AM. Protocolo basado en la evidencia de los cuidados de los cateteres urinários en unidades de cuidados intensivos. Enferm Intensiva [on line]; 23(4):171-178. 2012. Disponível em: http://www.elsevier.es/es-
revista-enfermeria-intensiva-142-articulo-protocolo-basado-evidencia-los-cuidados-S1130239912000193

BARROS LAA; PAIVA SS; GONÇALVES FA; SOUSA, SMA. Risk nursing diagnostics for adverse events in bladder catheterization installation delay. Rev. enferm. UFPE [on line]; 10(9): 3302-3312. 2016. Disponível em:
http://pesquisa.bvs.br/brasil/resource/pt/bde-30075CONTERNO LO, LOBO JA, MASSOM W. 

Uso excessivo do cateter vesical em pacientes internados em enfermarias de hospital universitário. Rev Esc Enferm USP [on line]; 45(5):1089-96. 2011. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342011000500009

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). A taxonomy for Patient Safety. [on line]. 2016. Disponível: http://www.who.int/patientsafety/implementation/taxonomy/en/

TOLENTINO ACMS, SCHUTZ V, PEREGRINO AAF et al. Perfil epidemiológico dos pacientes na uti, em uso de cateter vesical de demora. Rev enferm UFPE [online]; 8(10):3256-65, out. 2014. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/10055

CESTARI VRF; FERREIRA MA; GARCES TS; MOREIRA TMM; PESSOA VLMP; BARBOSA IV. Aplicabilidade de inovações e tecnologias assistenciais para a segurança do paciente: revisão integrativa. Cogitare Enferm. [on line]; (22)3: e45480. 2017. Disponível em: http://www.saude.ufpr.br/portal/revistacogitare/wpcontent/uploads/sites/28/2017/07/45480-212388-1-PB.pdf

quarta-feira, 24 de abril de 2019

GPESEG EXPLICA! - Segurança do Paciente no uso de Medicamentos

 Por: Juliana Viana Braga Carvalho

A preocupação com a qualidade da assistência à saúde vem tomando destaque a alguns anos principalmente após a criação do programa Aliança Mundial para a Segurança do Paciente que convocou os países a adotarem medidas para assegurar a qualidade e a segurança na assistência prestada nas unidades de saúde¹. 

O termo segurança do paciente, bastante difundido atualmente, diz respeito à redução ao mínimo aceitável do risco de danos associados ao cuidado em saúde. Atualmente um dos assuntos centrais da temática tem sido a assistência segura relacionada a medicamentos devido ao seu elevado potencial de risco, frequência, gravidade e recorrência de danos ao paciente²,³. 

A segurança relacionada a medicamentos é também conhecida como segurança medicamentosa e recebeu destaque pela Aliança Mundial para a Segurança do Paciente, no ano de 2017, após a temática ser assunto central do terceiro Desafio Global, intitulado “Medicação sem danos”.  As estatísticas em todo mundo já indicavam a necessidade de melhorar a segurança na assistência à saúde com ênfase no uso de medicamentos². 

Segundo o Instituto de Medicina, ao ano ocorrem 1,5 milhão de eventos adversos e 7.000 mortes nos Estados Unidos da América (EUA) devido a erros relacionados a medicamentos. Outro estudo realizado nos EUA aponta que cada paciente internado em hospital norte-americano está sujeito a um erro de medicação por dia, e que anualmente são registrados 400.000 eventos adversos relacionados a medicamentos, o entre outras consequências impacta nos custos do sistema de saúde¹,³. No Brasil as taxas de erros de medicação estiveram, em 2011, por volta de 64,3%, se comparadas a outros países, destacando-se nas etapas de preparo e administração de medicamentos4.

Grande parte dos processos assistenciais realizados em ambiente hospitalar envolve o uso de medicamentos. A utilização destes para o tratamento e a prevenção de doenças tem crescido exponencialmente, graças, entre outros fatores, ao aumento da sobrevida da população. Esta prática traz consigo riscos que podem levar a eventos adversos e, por consequência, aumentar o tempo de hospitalização, conduzir a morbidades adicionais, entre outros. Sendo assim, é necessário que o uso de medicamentos seja realizado de forma segura¹,³. 

O uso de medicamentos em instituições de saúde ocorre por meio de processos complexos, multidisciplinares e interligados, interdependentes e realizados por profissionais de diferentes áreas, o que requer comunicação eficaz entre os componentes da equipe. Sendo assim, há necessidade de uma eficiente interação entre os profissionais, a fim de promover condições que os auxilie a prevenir erros assegurando uma assistência mais segura aos pacientes5. 

Para tornar o uso de medicamentos mais seguro para o paciente, é importante identificar os fatores de risco que contribuem para os incidentes. Para isso, é necessário conhecer as falhas fundamentais e os problemas de desenho do sistema de medicamento, bem como eventos que trazem graves danos para o paciente³. 

Quando falamos em uso de medicamentos, temos a participação de diferentes profissionais nesse complexo sistema composto por etapas. O conhecimento dessas etapas e o uso de estratégias podem ajudar os profissionais envolvidos a evitar a ocorrência de erros e danos desnecessários associados à terapia medicamentosa.

Etapas do sistema de medicamentos 1,5. 
A prescrição, primeira etapa do sistema de medicamentos, consiste na escolha apropriada do medicamento para cada situação clínica. É o ponto de partida para o uso de medicamentos e impacta diretamente nas etapas subsequentes, pois pode induzir a erros;
A dispensação consiste na distribuição do medicamento pelo serviço de farmácia/suprimentos para as unidades requisitantes. O uso de estratégias como a distribuição de medicamentos com doses unitárias pode prevenir a ocorrência de erros em outras etapas, como na etapa do preparo;

O preparo consiste na técnica de manipulação dos medicamentos para administrar ao paciente, de acordo com a prescrição e dispensação. Requer atenção, conhecimento prévio sobre a droga e habilidade técnica para ser realizado de forma adequada;

A administração é uma etapa crítica, pois é a última etapa para interceptar e prevenir erros relacionados às etapas anteriores. Consiste na aplicação do medicamento ao paciente;
O monitoramento, última etapa do sistema, corresponde à observação continuada do paciente submetido à terapêutica e abrange observação de aspectos técnicos e clínicos. 

Diante da possibilidade de se prevenir erros relacionados ao uso de medicamentos e do risco de danos em função de sua ocorrência, torna-se relevante identificar a natureza e os determinantes dos erros a fim de promover ações de prevenção já que as falhas no uso de medicamentos contribuem fortemente para a redução da segurança do paciente³. 

Dessa forma, a fim de tornar o uso de medicamentos em ambiente hospitalar mais seguro, é necessário a inclusão de estratégias que padronizem os processos envolvidos no uso de medicamentos, uso de recursos de tecnologia de informação, a realização de atividades de educação permanente e acompanhamento das práticas profissionais em todas as etapas relacionadas ao uso de medicamentos¹,³. 


Referências:
Uso seguro de medicamentos: guia para preparo, administração e
monitoramento / Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo. – São
Paulo: COREN-SP, 2017. Disponível em: http://www.coren-sp.gov.br/sites/default/files/uso-seguro-medicamentos.pdf 

Medication Without Harm - Global Patient Safety Challenge on Medication Safety. Geneva: World Health Organization, 2017. Licence: CC BY-NC-SA 3.0 IGO. Disponível em: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/255507/1/WHO-HIS-SDS-2017.11-eng.pdf

Brasil. Protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos do Ministério da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: https://www20.anvisa.gov.br/segurancadopaciente/index.php/publicacoes/item/seguranca-na-prescricao-uso-e-administracao-de-medicamentos

RODRIGUEZ, L;  Ofelia, E;  et al . Assistência segura ao paciente no preparo e administração de medicamentos. Rev. Gaúcha Enferm.,  Porto Alegre ,  v. 38, n. 4,  e2017-0029,    2017 . Disponível em: http://www.revenf.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-14472017000400408


Silva, JSD; Almeida, PHRF; Perini, E; et al. Erros de prescrição e administração envolvendo um medicamento potencialmente perigoso. Rev enferm UFPE on line., Recife, 11(10):3707-17, out., 2017. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/viewFile/13807/24405


terça-feira, 2 de abril de 2019

GPESEG EXPLICA! - Indicadores de saúde

Autor: Adriana Ouverney Braz


Ao pensarmos em assistência em saúde, logo nos remetemos aos cuidados e a
qualidade deles, o quanto eficaz e efetivo este cuidado se mostra. Se analisar que, para
NBR ISO 9000, qualidade é o grau de satisfação alcançado através de um conjunto de
características inerentes satisfaz a um determinado requisitos, pode – se perceber que é
necessário uma série de padrões de atividades para executar, prever e promover ações
que garantam a qualidade, principalmente as que estão relacionadas a assistência e a
Segurança do Paciente.
Como verificar se este conjunto de padrões e atividades estão sendo realizados
de forma efetiva e prevenindo complicações aos pacientes? Neste momento que
observamos através das análises de indicadores de saúde.
Indicadores são medidas numéricas utilizadas para descrever uma
situação(cuidado/ protocolo) existente, que avalia mudanças ou tendências durante um
período de tempo determinado e ainda avaliar, em termos de qualidade e quantidade, as
ações de saúde executadas que envolveram esta situação. Existem quatro tipos
principais de indicadores em saúde, encontrados na literatura: Indicadores de estrutura e
processo, Indicadores de desempenho, Indicadores de resultados e Indicadores
Gerenciais.
A qualidade do cuidado é “o grau com o qual os serviços de saúde aumentam a
probabilidade de resultados de saúde desejados e são consistentes com o conhecimento
profissional atual’ 1 . A qualidade do cuidado pode ser mensurada através de indicadores.
Indicador de qualidade pode ser definido como uma medida sobre algum aspecto do
cuidado ao paciente. 2
Um indicador pode ser expresso como uma taxa, razão, índice ou como um
evento. O processo de desenvolvimento de indicadores inclui várias etapas, tais como, a
delimitação clara do que se quer medir, a padronização de definições e das

especificações dos indicadores e a realização de testes sobre a sua validade,
confiabilidade e viabilidade. 3,2
O grau de excelência de um indicador deve ser definido por
sua validade (capacidade de medir o que se pretende) e confiabilidade (reproduzir os
mesmos resultados quando aplicado em condições similares). 4 Espera-se que eles
possam ser facilmente analisados e interpretados, e que sejam reaplicáveis com a
mesma confiabilidade.
Os indicadores são a forma de medir o cuidado prestado, e avaliar quanto da
segurança ao paciente está sendo efetiva. Por isso, a responsabilidade de toda a equipe
em participar de todas as etapas do processo de avaliação e implementação de
indicadores.
Lembrando que o melhor cuidado é aquele que maximiza o bem-estar do
paciente, envolvendo ciclo de processo do cuidado que geram indicadores positivos.
Cuidados de saúde inseguros resultam em expressiva morbidade e mortalidade
evitáveis, gastos adicionais com a manutenção dos sistemas de saúde e representam uma
grande preocupação na atualidade 5 . Desta forma percebemos a importância de se
estabelecer o monitoramento correto e efetivo da assistência prestada no âmbito da
saúde.



Referencias:
1. Runcimam WB, Hibbert P, Thomson R, Van Der Schaaf T, Sherman H, Lewalle
P. Towards an International Classification for Patient Safety: key concepts and
terms. Int J Qual Health Care. 2009 Feb;21(1):2-8.
2. Mainz J. Defining and classifying clinical indicators for quality improvement.
Int J Qual Health Care 2003; 15:523-30.
3. McGlynn EA, Asch SM. Developing a clinical performance measure. Am J Prev
Med 1998; 14 Suppl 3:14-21
4. Brasil. RIPSA. Rede Interagencial de Informações para a Saúde. Disponível em:
http:// http://www.ripsa.org.br .
5. World Health Organization (WHO). World Alliance for Patient Safety.
Summary of the Evidence on Patient Safety: Implications for Research. The
Research Priority Setting Working Group of the World Alliance for Patient
Safety. World Health Organization; 2008

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

GPESEG Explica! – Terceiro Desafio Global para Segurança do Paciente

Por: Queila Faria

Reduzir em 50% os danos graves e evitáveis associados a medicamentos (ISMP, 2019). Essa é a ousada meta proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no Terceiro Desafio Global de Segurança do Paciente. Estima-se que US$ 42 bilhões, isto é, aproximadamente 1% do total de despesas em saúde no mundo, são utilizados em consequência de erros de medicação.

Nos Estados Unidos: Todos os dias uma pessoa morre devido a erros de medicação. Anualmente 1,3 milhões de pessoas são vítimas de danos envolvendo erros de medicação.

Para alcançar o Desafio Global foram propostas três categorias de áreas prioritárias:

Situação de alto risco: A condição clínica e a faixa etária são fatores determinantes no impacto de erros envolvendo medicamentos. Idosos e crianças estão mais suscetíveis a desfechos adversos assim como pacientes internados quando comparados a pacientes em regime ambulatoriais. Dessa forma o quadro clínico e os extremos de idade são aspectos que condicionam a denominada situação de alto risco.
Alerta! O risco de intoxicação por medicamentos em crianças deve ser rigorosamente monitorado, uma vez que, as formas farmacêuticas disponíveis não possuem dosagens e concentrações adequadas para a administração, e, as doses são individualizadas de acordo com idade, peso e área de superfície corporal, requerendo cálculos específicos.

Polifarmácia: Considera-se polifarmácia o uso de quatro ou mais medicamentos ao mesmo tempo pelo paciente (OMS, 2018). Essa condição potencializa as chances de ocorrência de erros de medicação, interações medicamentosas e reações adversas.
Alerta! Além dos medicamentos serem adequadamente prescritos, dispensados, administrados e monitorados, produzindo benefícios que se sobreponham aos riscos, os pacientes em uso de múltiplos medicamentos devem ser empoderados com informações sobre os medicamentos que permitam ao mesmo contribuir para segurança medicamentosa.
Transição do cuidado: Definida pelo deslocamento de um paciente entre instalações físicas ou profissionais com a finalidade de receber assistência em saúde. São altas as chances de erro de comunicação no momento de transição do cuidado o que consequentemente pode contribuir para a ocorrência de graves erros de medicação.
Alerta! Para evitar os erros de medicação durante as transições é fundamental a realização da conciliação medicamentosa. Consiste na elaboração de uma lista contendo todos os medicamentos de uso habitual do paciente com nome, dosagem e via de administração. Essa lista deve ser comparada com a prescrição em todas as transições do cuidado objetivando corrigir discrepâncias se houver.



REFERÊNCIAS:
ISMP. Instituto para práticas seguras no uso de medicamentos. Desafio global de segurança do paciente medicação sem danos. V.7, n.1, p. 1-7, 2018. ISMP. Instituto para práticas seguras no uso de medicamentos. VI Fórum Internacional sobre Segurança do Paciente – Erros de Medicação, 2019.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO launches global effort to halve medication-related errors in 5 years. Geneva: World Health Organization, 2017.WORLD HEALTH ORGANIZATION. Medication Without Harm - Global Patient Safety Challenge on Medication Safety. Geneva: World Health Organization, 2017.